Bom, este blog se chamava amorosprasempre.blogspot.com e era dedicado ao meu relacionamento que acabou. Mas ele não havia sido criado inicialmente para isso, foi uma adaptação de um outro blog que tive. Sendo assim, não acho justo excluir e apagar tudo, mas quero poder continuar com um blog. Por isso mudei mais uma vez o nome e agora ele continua com todas as postagens antigas. Acrescentei três postagens que importei do blog diariodeumpsicanalisado.blogspot.com, são reflexões que fazia sobre a terapia que não faço mais. Na época criei esse blog e não queria me identificar, mas agora importei as publicações para cá. Agora esse é o novo blog!!! Um blog híbrido, como eu.
sábado, 2 de julho de 2011
sexta-feira, 24 de junho de 2011
A primeira continuação...
E mais de cinco meses passados ele se deparou com aquele conto escrito. Leu, releu e observou alguns erros de pontuação. Decidiu não corrigir naquele momento. Afinal, aqueles erros já haviam permanecido por tanto tempo no texto de forma tal que não eram mais do autor. Eram do texto. Eram o próprio texto. Este agora, que ele escrevia, também iria conter erros, mas o que importava naquele momento era escrever. Depois, se tudo ficasse pronto e de fato as folhas soltas se unissem em forma de livro, ele corrigiria o que fosse necessário. Precisaria de um especialista, certamente. Engraçado foi a forma como ele decidiu recomeçar. Numa tarde, enquanto tinha outra coisa mais importante a escrever. Ele deveria estar escrevendo a sua dissertação de mestrado. Mas sua dissertação estava em crise. Não sabia muito bem o que escrever. Faltavam menos de seis messes e sequer o que fazer ele tinha claro. Dessa vez não tinha como fugir. Deveria enfrentar seus medos e receios e encarar a dificuldade de colocar no papel seus pensamentos soltos. O problema era que sequer seus pensamentos estavam contribuindo. Não eram as palavras que estavam emboladas, eram os pensamentos. Sobre sua vida? No momento estava da seguinte forma: começou e parou de nadar nos últimos três meses; terminou o namoro, que segundo ele havia ajudado a engordar; começava a se dar conta de que namorar não engorda e que solteirisse não emagrece; trabalhava como professor de segunda a sábado e em alguns domingos aplicava provas em um curso a distância; sentia-se como um urso no inverno, não só pelo corpo de urso, mas porque estava tão atarefado de coisas a fazer que evitava eventos sociais. Enfim, agora que continuava aquilo que já havia começado, sentia necessidade de ficar horas escrevendo sobre si, mas sabia que outras coisas necessitavam mais de sua atenção. Sendo assim, ele encerrou naquele dia sua primeira continuação, esperando que a segunda não demorasse mais cinco meses.
domingo, 20 de março de 2011
Agressão na Boate Cine Ideal
Eu, Leonardo Peixoto, 26 anos, gay, morador da cidade do Rio de Janeiro, pedagogo, professor do município do Rio de Janeiro, fui expulso na madrugada deste sábado, dia 20 de março, por volta das 03:00 da Boate Cine Ideal, localizada na Rua da Carioca, 64 após presenciar agressão de um gogo-boy a um freqüentador da casa.
O gogo-boy desceu do “queijo” e deu dois tapas no peito de um freqüentador da casa. Ao presenciar a reação do gogo-boy, eu e meu amigo Paulo Victor procuramos a responsável pela gerência. Solicitamos que o gogo-boy fosse identificado e que a gerência tomasse alguma providência, uma vez que, enquanto gays e freqüentadores da casa, não poderíamos estar em um ambiente onde as pessoas eram tratadas dessa forma pelos funcionários da boate.
A gerente Cecília, disse que se o gogo-boy fez isso era porque ele tinha motivos. E perguntou se por um acaso fomos nós os agredidos. Argumentamos que nenhuma violência física cometida por um funcionário da casa é justificada, e que a gerência não poderia compactuar com tal postura. A gerente ignorou nossa reclamação, não dando a devida atenção e por muitas vezes olhando para o lado fazendo de conta que não estava falando com ninguém.
Identificamos a vítima da agressão no interior da boate e fomos conversar com o chefe da equipe de segurança Sr. Simões. Inicialmente, o chefe ouviu a reclamação e fomos conversar com a gerente Cecília. Nesse momento, Simões me pede para entrar na boate. Eu disse que estava acompanhando a conversa e que não iria sair dali, até porque já havia iniciado uma conversa anterior com a Cecília. Dois outros seguranças que estavam na porta da boate falaram para eu entrar. Eu disse que estava participando da conversa. Foi quando três ou quatro seguranças me colocaram a força para fora da boate. Tentei questionar o que estava acontecendo, mas fui ignorado e expulso da casa. Acionei o 190.
Quando a viatura chegou, os PMs pediram para que entrássemos na viatura eu e mais duas testemunhas, para nos levar à Delegacia. Foi quando um dos seguranças se aproximou da viatura e se apresentou como inspetor de polícia. Dizendo ao PM “Sou inspetor ‘fulano’ (não me recordo o nome) e o rapaz de azul (eu) não foi expulso da casa não. Ele pode entrar a hora que quiser.” O PM respondeu: “Mas ele está indo registrar ocorrência”. E partimos com a viatura.
O registro da ocorrência foi realizado na 1ªDP, após resistência do Inspetor de plantão, que alegou inicialmente que estávamos em local de “putaria” sabendo que só tem confusão e depois queríamos registrar ocorrência. Independentemente das opiniões pessoais do investigador, registramos a ocorrência, que será encaminhada para a 5ªDP.
Muitas coisas me revoltam nesse fato:
1 ) A falta de preocupação da gerência da casa em saber que um cliente foi agredido dentro do seu estabelecimento por um funcionário. Percebemos claramente que a política do estabelecimento acha que os gays devem ser tratados com violência, uma vez que ao questionar o fato também fui agredido e fui expulso da casa.
2) A maneira como um inspetor de polícia, fora do seu local de trabalho, se apresenta aos PMs como “inspetor”, antes mesmo de falar seu nome. Qual era a intenção?
3) A forma como fomos recebidos na Delegacia de Polícia, como se estivéssemos errados e como se não tivéssemos que registrar o fato.
Confesso que fiquei com medo, mas o medo não vai me silenciar. Peço o apoio de Toni Reis - ABGLT, Claudio Nascimento - SuperDir/Seasdh, Carlos Tufvesson - Coordenadoria da Diversidade Sexual Rio, Grupo Arco-Íris, ao meu partido PSOL, aos deputados eleitos pelo meu partido, em especial Dep. Fed. Jean Wyllys, para que este caso não seja mais um arquivado e enterrado.
A luta aqui não é contra a gerente, contra o chefe de segurança da casa ou contra os inspetores de polícia. A luta é contra a política de uma instituição, que aparentemente está a serviço da comunidade LGBT, mas que na realidade se mostra pouco preocupada com os direitos dessa comunidade. Uma casa que foi palco de algumas festas de abertura oficial da Parada LGBT do Rio de Janeiro, mas que na realidade pouco se importa com o movimento. Uma boate relativamente nova, se comparada à boates tradicionais do Rio, e que mostra como o mercado LGBT vem se desenvolvendo. E qual é a relação que nós do movimento LGBT estamos estabelecendo com essas empresas?
Lutamos também contra uma política de estado. É triste, mas a doce verdade é que estes inspetores de polícia, também são vítimas da política de segurança pública do Rio de Janeiro. Uma política de segurança pública que coloca o tempo todo a polícia armada contra a população. Que conseguiu através do discurso dizer que marginal e bandido é a mesma coisa.
Sou um marginal. Mas saibam que o bandido não sou eu. Em algum momento roubaram de mim o direito de viver dignamente como todo cidadão homem, heterossexual, branco e de classe média/alta. Só quero de volta esse direito que é meu. Apesar de eu nunca ter visto, eu sei que ele existe.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Talvez mais um conto.
E na noite em que completava vinte e seis anos, havia decidido tentar pela milésima vez colocar em ordem as palavras que lhe viam a mente. Era muito bom com as palavras. Gostava por demais de pronunciá-las, mas tinha certa dificuldade em colocá-las no papel do computador. Decidiu então, por mais esta vez, ajustar margens, fontes e parágrafos para dar mais uma vez asas à sua imaginação. Não sabia se dessa vez sairia da primeira página, mas era uma tentativa. A noite sempre trazia a inspiração e a vontade de escrever. Mas o quê? Sobre quem? E para quem? Sempre vinha em sua cabeça a necessidade de falar sobre sua vida, suas histórias e memórias. Mas, talvez, o para quê não atingisse o seu objetivo principal. Não sabia também se começar um livro narrando as dificuldades e os desejos em concretizar este objeto, passaria aos leitores a credibilidade de que realmente era um verdadeiro escritor. Também não sabia se ele queria ser considerado um escritor. Mas quem vai ler um livro de alguém que não seja um escritor? Queria fazer o livro. Queria vender o livro. Queria sucesso. Talvez seja esse o grande objetivo: Queria Sucesso. Queria popularidade e notoriedade. Mas não por uma coisa qualquer, por mais que já tivesse tentando, muitas vezes, entrar naqueles programas da moda em que a pessoa vive numa casa mostrando para todos o que seria uma “novela da vida real”. Sempre sonhou com esses programas. Sempre quis dar entrevistas. Sempre quis ser alguém na vida. Por mais que já fosse alguém e que soubesse de todo o seu valor, sempre quis ter espaço. Sempre foi espaçoso e talvez por isso todo o seu corpo pesando no momento 130kg em 1,79m. Também sempre escondia o seu peso, não o peso, mas os números. Mentia. Quem queria dizer? Por mais que parecesse que pesava tudo isso. Com certeza o namoro ajudou. Antes do namoro sempre foi gordo. Já era gordo antes mesmo de pensar em namoro. Talvez já fosse gordo antes mesmo de pensar. Seria algo do tipo: Penso, sou gordo, logo existo. O corpo sempre foi um problema. Na adolescência não se achava bonito. E é mentira de quem diz que adolescentes não se acham bonitos, porque muitos meninos e meninas da sua escola se achavam muito bonitos e bonitas. Mas aos poucos começou a se gostar. Na verdade descobriu formas, diferentemente gostosas, de se gostar. Começou a se interessar por pessoas mais velhas. Se não tinha a beleza, ao menos tinha a juventude. Algo precisa ter para se sentir sexualmente superior. O mais interessante é que como sempre travava na primeira página dos seus escritos, e esta por sua vez já estava acabando. Até mesmo as memórias de sua vida começaram a se acabar. Para que mais esta tentativa chegasse ao fim. Não seria hoje o grande dia. Talvez mais um conto. Talvez.
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