quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O homem que fantasiava o passado

Conheci um homem que fantasiava seu passado. Ao falar sobre ele, seus olhos brilhavam de alegria e emoção. “Quanta saudade dos tempos de infância, onde não havia problemas.” Quando criança, fantasiou um amor incondicional por seu avô paterno, que falecera quando tinha apenas dois anos de idade. Fantasiou o dia da sua morte, fantasiou a imagem do avô indo para o céu e inventou um vazio que trazia um delicioso sofrimento. Pouco depois, começou a fantasiar amores e dessa forma descobriu como alimentar o vazio. Namorava, terminava e sentia falta. Chorava e sofria pelo que partiu. Por tudo aquilo que viveu e que jamais voltaria a viver. O vazio o completava. Perder era seu maior prazer. Amava sofrer e sempre dizia: “Saudade do tempo em que...”. Jamais escrevia diários. Preferia as memórias, mas não as escrevia por medo de torná-las rígidas demais. Seu maior desejo: que seu passado vivesse feliz. Futuro e presente? Pouco importavam, um dia chegariam ao fim.