Sexta-feira, 27 de agosto de 2010.
Estava eu retornando de Petrópolis. Peguei o ônibus que me deixaria no Castelo, especificamente na Rua Nilo Peçanha. Como de costume, ia em sentido à Rua da Carioca, onde tomaria o ônibus para casa. Acontece que, nesse breve percurso, eu presenciaria o fato que narrarei agora:
Um grupo de pessoas, na Praça Melvim Jones, olhava para o mesmo ponto. Como bom curioso que sou, tratei de identificar o local para o qual eles olhavam. Foi então que presenciei dois homens brancos ao redor de uma criança negra. Eles eram o centro das atenções dos espectadores. O menino começava a tirar a roupa dizendo: “Não fui eu! Não fui eu! Olha aqui. Estou tirando a roupa. Quer ver?” Chegando a ficar de cueca perante a todos os observadores. A idade do menino? No máximo 7 anos. Uma jovem, com o namorado, falou algo para um dos homens. Ele respondeu: “Leva pra casa então. Isso não é criança. Eu vi ele roubar. Passou a mão no pescoço dela. Tá com peninha? Pega pra criar.” Enquanto isso o garoto sacudia a mão. Parecia que haviam torcido o pulso dele. Entre os observadores o comentário era: “Tá certo ele. Isso sempre acontece por aqui.” O homem, que havia esbravejado as falas para a jovem, abraçou sua própria namorada. Ela com a mão no pescoço. Alguém perguntou para os dois: “Acharam?” E eles responderam: “Não. Não.” E sobre a jovem disseram: “Quero ver se ela vai ficar com peninha quando for ela.” E foram embora. O menino continuou parado no centro da Praça sob o olhar de todos. Eu fui seguindo meu caminho. Todos seguiram. Nada fiz a respeito. Mas tudo isso me trouxe a seguinte reflexão: Como posso ver alguma coisa tão valiosa sendo roubada e não fazer nada para tentar recuperar? Sequer me preocupei em procurar onde estava. Ficamos todos ali. Parados. E somente uma pessoa tentou agir. Não sei se ela percebeu o valor do que havia sido roubado, nem se algo havia sido roubado, mas tentou. Não! Não estou falando do roubo do cordão de ouro da pobre namorada. Estou falando do roubo da infância daquela criança. Ou seria, o cordão, mais valioso?
Um grupo de pessoas, na Praça Melvim Jones, olhava para o mesmo ponto. Como bom curioso que sou, tratei de identificar o local para o qual eles olhavam. Foi então que presenciei dois homens brancos ao redor de uma criança negra. Eles eram o centro das atenções dos espectadores. O menino começava a tirar a roupa dizendo: “Não fui eu! Não fui eu! Olha aqui. Estou tirando a roupa. Quer ver?” Chegando a ficar de cueca perante a todos os observadores. A idade do menino? No máximo 7 anos. Uma jovem, com o namorado, falou algo para um dos homens. Ele respondeu: “Leva pra casa então. Isso não é criança. Eu vi ele roubar. Passou a mão no pescoço dela. Tá com peninha? Pega pra criar.” Enquanto isso o garoto sacudia a mão. Parecia que haviam torcido o pulso dele. Entre os observadores o comentário era: “Tá certo ele. Isso sempre acontece por aqui.” O homem, que havia esbravejado as falas para a jovem, abraçou sua própria namorada. Ela com a mão no pescoço. Alguém perguntou para os dois: “Acharam?” E eles responderam: “Não. Não.” E sobre a jovem disseram: “Quero ver se ela vai ficar com peninha quando for ela.” E foram embora. O menino continuou parado no centro da Praça sob o olhar de todos. Eu fui seguindo meu caminho. Todos seguiram. Nada fiz a respeito. Mas tudo isso me trouxe a seguinte reflexão: Como posso ver alguma coisa tão valiosa sendo roubada e não fazer nada para tentar recuperar? Sequer me preocupei em procurar onde estava. Ficamos todos ali. Parados. E somente uma pessoa tentou agir. Não sei se ela percebeu o valor do que havia sido roubado, nem se algo havia sido roubado, mas tentou. Não! Não estou falando do roubo do cordão de ouro da pobre namorada. Estou falando do roubo da infância daquela criança. Ou seria, o cordão, mais valioso?