Às queridas amigas e amigos do CIEP Dr. Bento Rubião.
Pessoas,
Nunca achei que seria fácil “deixar” minha primeira casa. E como imaginei não está sendo. Apesar de tudo foi aqui que dei meus primeiros passos junto com a turma EI-24. Lembro ainda do dia que cheguei no DRH da 2 CRE e fiquei feliz ao saber que iniciaria minha jornada profissional na Rocinha. Sem hipocrisias, nunca tive problema algum em entrar em comunidade. Queria até morar aqui na favela. A Mara que escutou muito das minhas loucuras assim que cheguei aqui. Saudades!
Apesar dos loucos pensamentos, jamais esqueci minha imensa responsabilidade com a educação pública. E foi exatamente a luta pela democracia que começou a criar atritos. E os atritos desgastam. E os desgastes ferem. Feridas deixam marcas. E as marcas jamais serão apagadas. E nem quero que sejam. O CIEP me marcou e com certeza eu também deixo minhas marcas aqui. Navegar é preciso, viver não é preciso. Não desisti de lutar, muito pelo contrário. Nem sempre recuar é se acovardar. Esperar também é preciso.
Peço desculpas às que não pude abraçar pessoalmente, mas confesso que não gosto muito de despedidas. Quem gosta? Saio daqui com apenas um desejo, de que o CIEP Dr. Bento Rubião possa um dia se tornar uma unidade de ensino pública, laica, de qualidade e que atenda aos interesses desta comunidade levando em consideração que educação integral é muito mais do que manter o aluno em tempo integral na escola. Nós sabemos a luta que enfrentamos diariamente para garantir o mínimo de condições necessárias ao aprendizado e é preciso união. Esse sempre foi o meu intuito. Talvez a minha fala estivesse um pouco viciada pelos movimentos sociais os quais eu participava, mas nunca tive outro discurso senão esse. Direção, professores, funcionários, pais, alunos e comunidade é preciso saber conviver. O problema está para além destes atores, mas a resolução depende de todos.
Bom, agora me despeço pedindo desculpas pelos possíveis erros de português. Saibam que estou escrevendo essa carta sem tempo de revisá-la, mesmo assim confesso que alguns erros fogem do meu raso conhecimento da língua portuguesa. Mas isso não impede que eu me autoclassifique professor, educador e digo mais, um apaixonado pela educação pública. O mundo dá muitas voltas e certamente iremos nos encontrar muitas e muitas vezes. Algumas vezes por cima, outras por baixo. Se chorei ou se sorri o importante é que emoções eu vivi.
Beijos carinhos e abraços faternos,
Leo Peixoto.
PS.: A Baleia é amiga da sereia e o tomatinho vermelho ketchup virou....rs*
